A vida acontece além dos algoritmos

Você também acha que a vida ficou barulhenta demais com o passar dos anos? Lembra quando a gente dizia que iria “entrar na internet”? Pois é, hoje a gente não consegue nem se desligar um pouquinho dela sem pensar que está perdendo algo muito importante. São tantas notificações, vídeos que começam a tocar sozinhos, um monte de opiniões urgentes e um (ou vários) feed que não acaba nunca… Tudo é para ontem. Tudo quer uma resposta agora. Nada te dá um tempo pra respirar e pensar antes de reagir.

Hoje eu quero te convidar a fazer diferente: não reagir. Apenas respirar. Apenas pensar em algum momento banal do seu dia a dia. Isso é para lembrar de que nós não fomos feitos para processar o mundo na velocidade da luz.

Já sentiu saudade de algo que talvez possamos chamar de “internet antiga”? Não é nem saudade da internet em si, mas daquela época em que a rede era um lugar que a gente visitava, e não um lugar onde a gente morava. Entrávamos, líamos um texto em um blog escuro com letras pequenas, deixávamos um comentário, ficávamos um tempinho no Orkut e pulávamos para o MSN e, depois, desconectávamos para viver a vida lá fora. Havia pausas. Havia um lembrete de que ainda estamos vivos e as conexões são reais.

Hoje, os algoritmos sequestraram o nosso direito ao fim. Eles nos empurram para o próximo conteúdo antes mesmo de digerirmos o anterior. É exaustivo. A gente cansa só de pegar no celular. E o pior é que, às vezes, nem percebemos que estamos cansados, e só nos damos conta disso quando o corpo já não aguenta mais.

E tudo isso faz com que não prestemos mais atenção nas coisas do dia a dia. Nós não apreciamos mais o canto dos pássaros, um tempo reunido com os amigos sem precisar de tanta cerimônia pra marcar algo na vida tão atarefada de todos, nem mesmo sair pra caminhar por caminhar e não pra registrar um treino num app. Parece que as coisas foram meio que perdendo o sentido, como se elas tivessem sido transferidas para uma visão de que é preciso performar o tempo inteiro, mesmo quando ninguém está olhando.

Por isso, precisamos pegar de volta nossos espaços lentos. Precisamos novamente de lugares onde o relógio não dite as regras e nem o algoritmo tome conta do nosso tempo e da nossa vida. Lugares onde a gente possa entrar, tirar os sapatos e sentar no chão frio. Onde ler um texto ou assistir a algo não seja uma corrida para ver quem chega ao final primeiro, mas um momento para apreciar aquilo. E que, depois, possamos sair desse lugar e não viver presos nele o tempo inteiro.

O silêncio, hoje, é um ato de resistência. Escolher não saber da última polêmica do Twitter, escolher não consumir tantos vídeos curtos que acabam com a nossa atenção, escolher o texto longo, a xícara de café ou chá esfriando na mesa e o tempo arrastado.

Que este espaço aqui seja o seu respiro na semana. O seu canto silencioso, livre de pressa e de algoritmos.

Respire fundo. Feche algumas abas. A internet pode esperar.

A vida lá fora está acontecendo agora.

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